Modelos de julgamento

Certo dia, eu estava julgando uma pessoa. Comecei a reparar em suas atitudes, o seu jeito de andar, falar e suas expressões faciais. Analisava minunciosamente todas as suas atitudes e palavras as quais o indivíduo ousava falar. Sua linha de raciocínio não tinha sentido algum para mim, suas palavras eram vagas, soberbas e não traziam crescimento as outras pessoas, seu sorriso era forçado e envergonhado, me parecia tentar esconder algo.

Eu não conseguia conviver com esta pessoa por muito tempo sem reparar no seu jeito de tratar o próximo, no seu jeito de tratar a si mesmo. Como este ser poderia ter tanta audácia em ser o que era? Ah, se fosse eu no lugar dessa pessoa, seria totalmente diferente. Eu jamais agiria daquela maneira infame. Felizmente, eu pensava que comigo tudo era diferente, me achava especial e não deveria perder tempo julgando determinadas pessoas (apesar de cometer este ato sem perceber). De fato, eu não consegui parar de julgá-lo tão cedo, já que esta pessoa estava presente todas as vezes em que eu me olhava no espelho.

Auto julgamento

Sim, eu me julgava. Não diretamente, mas através de julgamentos feitos sobre as outras pessoas. Quando eu apontava algum defeito em alguém, por incrível que pareça, este apontamento também servia para mim. Seria coincidência? Acredito que não. Mas é claro, eu não fazia a mínima ideia de que o julgamento que eu fazia era na verdade em primeiro lugar para mim mesmo, meu orgulho me cegava, eu tinha que me sentir superior, aliás, apenas seres que creem ser superiores julgam os outros pelo o que são.

O julgamento, quando necessário, deve ser feito baseado no que o indivíduo fez, e não no que ele é. Eu acredito com todo o meu coração no desenvolvimento humano, tanto é que escrevo sobre isso. Julgar uma pessoa e não suas atitudes é acreditar que a mesma não pode mudar e estará condenada a ser quem é para o resto da vida. Eu julgava as outras pessoas, logo, eu me julgava. Se o erro está nas atitudes, julgar o ser vai fazer com que ele mude? Sabemos na prática que não, pelo contrário, só resulta na criação de contendas e desavenças.

Julgamento do Ser versus Fazer

As atitudes estão no campo do fazer, que são consequências do que somos – campo do ser. Agora, se julgamos as atitudes de uma pessoa, não estaremos julgando quem ela é? Deixo está reflexão, até porque, creio que não há uma resposta certa. Mas podemos ter uma noção prática comparando os seguintes julgamentos:

“Você é uma pessoa ruim!”

“A atitude que você teve foi péssima!”

Eu quis pegar pesado nas duas frases, foi proposital. E mesmo dessa maneira, pelo menos para a minha visão de mundo de acordo com a minha experiência de vida, a primeira frase é totalmente destruidora. Já a segunda, pode conter vestígios de crescimento quando bem utilizada.

Para exemplificar ainda mais as ideias contidas nos parágrafos acima, trago uma frase:

“Sobre o que a pessoa fez, nada poderá ser feito para mudar. Sobre quem a pessoa é, o desenvolvimento é mais do que possível, é tangível.”

Não julgue nem critique, sugira

Mais poderoso ainda do que julgar o fazer ao invés do ser é sugerir. Deixar o julgamento de lado e trazer soluções para pessoas abertas a elas é colocar em prática a filantropia, acredita, o verdadeiro amor sugere, não julga.

Sugerir não é dizer o que a pessoa deve ou não fazer, mas sim trazer a tona novos caminhos, ideias, reflexões e possibilidades de crescimento. Quando for sugerir algo a alguém, tenha em mente alguns pontos:

A pessoa quer receber sugestões?

A pessoa necessita realmente de uma sugestão?

Eu sou a pessoa ideal para dar esta sugestão em questão?

Se a reposta para estas três perguntas for sim. Não guarde para si o seu conhecimento e sugira algo! Caso o contrário, a lei do livre-arbítrio fará o restante.

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